Razões para evitar os desodorizantes convencionais & como podem fazer facilmente o vosso próprio desodorizante natural

Como já partilhei convosco, há vários anos que eu não compro produtos de higiene pessoal, uma vez que prefiro fazer os meus próprios produtos utizando apenas ingredientes naturais – desde cremes para o corpo e rosto a desodorizante e pasta de dentes. Num artigo anterior, partilhei uma das minhas receitas de creme para o corpo/rosto.

Mas porque é que eu me dou ao trabalho de fazer estes produtos? Aqui estão as 3 principais razões:

  1. A maioria destes produtos contém químicos e metais bastante controversos que eu quero evitar, pelo menos nas coisas que posso controlar (e certamente que posso controlar as coisas que compro).
  2. É muito mais sustentável fazer os meus próprios produtos. Já pensaram na quantidade de lixo produzido com a utilização destes produtos? E normalmente é plástico, com o qual, como sabem, temos um problema sério no nosso planeta. Quando fazemos os nossos próprios produtos de higiene pessoal, podemos usar frascos de vidro para os armazenar, que são facilmente laváveis ​​e reutilizáveis.
  3. É mais barato e é super fácil de fazê-los nós mesmos.Neste artigo, vou escrever sobre outro produto de higiene pessoal muito comum que a maioria de nós utiliza pelo menos uma vez por dia: desodorizantes. A maioria dos desodorizantes e antitranspirantes convencionais contém vários ingredientes potencialmente prejudiciais que vários estudos têm associado ao cancro da mama e a outros problemas de saúde (vejam a secção em baixo). Coincidência ou não, o quadrante superior externo da mama é onde se verifica também uma incidência desproporcionalmente maior de cistos e cancro de mama [1]. Além disso, estudos mostram que a frequência de uso de desodorizantes ou antitranspirantes, bem como começar a utilizá-los numa idade precoce, está associada a uma idade mais precoce de diagnóstico do cancro da mama, particularmente nas pessoas que depilam frequentemente as axilas [2].

Curiosamente, estudos mostram que os desodorizantes e antitranspirantes modificam a comunidade microbiana nas nossas axilas e podem na verdade estimular o crescimento de bactérias produtoras de odor [3], o que provavelmente é o oposto do que as pessoas pensam.

 

3 ingredientes potencialmente prejudiciais em desodorizantes

Muitas das substâncias químicas que pomos na nossa pele são absorvidas pelo nosso corpo e vão chegar à nossa corrente sanguínea às vezes até mais rápido e eficientemente do que se as ingerissemos, uma vez que não são metabolizadas pelo fígado ou sistema digestivo.

Os desodorizantes contêm vários ingredientes controversos e potencialmente prejudiciais que são absorvidos pela pele das axilas. Aqui estão três ingredientes muito comuns nos desodorizantes / antitranspirantes a evitar.

  • Alumínio

O alumínio tem sido utilizado há vários anos em desodorizantes e antitranspirantes (e outros cosméticos), uma vez que bloqueia as glândulas sudoríparas e portanto, reduz a quantidade de suor eliminado. Além de reduzir a eliminação do suor e, portanto, a excreção de toxinas, o alumínio é também absorvido, acumulando-se no tecido mamário. O alumínio pode causar alterações no DNA, respostas inflamatórias, interferir com os receptores de estrogénio nas células do cancro da mama e causar outros efeitos moleculares que poderão levar ao desenvolvimento do cancro [1, 4, 5]. De facto, estudos encontraram níveis mais altos de alumínio no fluido aspirado do mamilo em mulheres com cancro da mama do que em mulheres sem a doença [6]. Para além disso, também identificaram um aumento dos níveis de inflamação e stress oxidativo nestas mulheres. Os autores deste estudo sugerem (nas suas próprias palavras) [6]:

a acumulação de alumínio no microambiente mamário como possível fator de risco para o fenótipo oxidativo / inflamatório das células da mama”.

Além disso, outros estudos demonstraram que o alumínio aumenta as propriedades migratórias e invasivas das células do cancro da mama, o que sugere que a presença de alumínio na mama poderá influenciar os processos metastáticos [7].

  • Parabenos

Os parabenos constituem outro tipo de ingrediente adicionado a vários produtos de higiene e cosméticos, incluindo antitranspirantes / desodorizantes, onde actuam como conservantes. Estes compostos têm atividade estrogénica em células humanas do cancro da mama e um estudo detectou-os em 99% do tecido mamário em doentes com cancro da mama [8]. Estes investigadores também detectaram parabenos em 7 das 40 doentes que relataram nunca ter utilizado desodorizantes ou antitranspirantes na vida, o que sugere que provêm de outros produtos de higiene pessoal com parabenos que as doentes utilizavam.

Tal como o alumínio, os parabenos também são encontrados perto da axila e, como mencionado acima, a incidência de cancro da mama no quadrante externo superior da mama parece ser muito maior do que em outras regiões da mama [8].

Estudos também demonstraram que os parabenos podem influenciar a proliferação, bem como as propriedades migratórias e invasivas das células humanas do cancro da mama [9].

A maioria dos relatórios sobre a toxicidade dos parabenos advém de estudos em que consideraram uma exposição a apenas um único parabeno, tendo aqui sido considerarados como estrógenios fracos (comparados aos estrogénios naturais) com um risco fraco de perturbação hormonal. No entanto, existem 2 problemas com estes relatórios:

1) como salientado no estudo [10], as pessoas não estão normalmente expostas a um único parabeno, mas a múltiplos parabenos diariamente. De fato, no estudo mencionado acima, a maioria das doentes tinha todos os tipos de parabenos testados presentes no tecido mamário [8].
2) como demonstrado no estudo acima [8], a concentração de parabenos nos tecidos pode ser um milhão de vezes maior que a do estradiol (estrogénio natural), o que indica claramente que a magnitude da exposição aos parabenos mais do que compensa a sua reduzida potência em comparação com o estrogénio natural [11].

Na minha opinião, isto é bastante preocupante. É importante que a investigação científica avalie o efeito aditivo da exposição a múltiplos parabenos a partir do uso diário de um ou mais cosméticos e produtos de higiene pessoal, assim como considerar as doses reais a que as pessoas estão de facto expostas. Este é um cenário muito mais realista do que considerar apenas um único parabeno numa dose baixa. Até que isto seja feito e as autoridades de saúde confirmem que os parabenos representam um alto risco para a saúde humana, penso que é prudente evitar todos os produtos que contenham estes compostos.

  • Ftalatos

Os ftalatos estão presentes em vários produtos vendidos aos consumidores, desde itens de plástico (usados ​​em embalagens de alimentos) até produtos de higiene pessoal usados ​​tanto por mulheres como homens (incluindo crianças), tais como desodorizantes, sprays e gel para o cabelo, perfumes / águas de colónia, aftershaves, verniz para as unhas, loções e cremes, champôs, sabonetes, etc [12, 13]. Os ftalatos são normalmente usados ​​para fixar a fragrância e manter a cor, por isso não é surpreendente que as maiores concentrações tenham sido encontradas em produtos com fragrâncias [13]. Estes compostos nem sempre estão incluídos na lista de ingredientes de um produto, mas basicamente, qualquer produto de higiene pessoal que contenha uma fragrância pode conter ftalatos.

Os ftalatos têm sido identificados como toxinas que afectam o sistema reprodutivo e que têm efeitos de desregulação endócrina (hormonal) [14, 15]. Nas mulheres, altos níveis de ftalatos estão associados a uma desregulação da função dos ovários, diminuição das taxas de gravidez e taxas mais elevadas de abortos, bem como a complicações na gravidez, como anemia, pré-eclâmpsia e baixo peso no nascimento [16, 17]. Nos homens, os ftalatos afetam o desenvolvimento do sistema reprodutor masculino e a qualidade do sémen [18, 19].

A exposição pré-natal aos ftalatos também está associada a problemas cognitivos e comportamentais em crianças, incluindo um menor QI, problemas de atenção, hiperatividade e problemas de comunicação social [20].

 

Portanto, embora não tenha ainda sido estabelecida uma ligação definitiva entre estes ingredientes e o cancro da mama e outros problemas de saúde, todos estes estudos indicam que devemos ter muito cuidado com o uso de desodorizantes convencionais. Eu não vejo a necessidade de os usar e portanto, estarmos expostos a estes ingredientes potencialmente prejudiciais, quando na verdade existem várias outras alternativas naturais. Nas lojas, encontramos frequentemente desodorizantes ou produtos “sem alumínio”, alegando que são “desodorizantes naturais”. No entanto, para ter a certeza de que não contêm outros ingredientes potencialmente periogos, recomendo que leiam sempre a lista de ingredientes. Em regra geral, se houver algo na lista que não conhecem, não comprem. Como mencionei em cima, eu pessoalmente não compro desodorizantes e faço o meu próprio (super simples e muito mais barato).

 

Alternativas naturais aos desodorizantes

Em vez de desodorizantes / antitranspirantes, podem experimentar uma das seguintes opções naturais:

  • Bicarbonato de sódio. Simplesmente molhem as pontas dos dedos e adicionem um pouco de bicarbonato de sódio. Depois esfregue isto nas axilas. Esta é uma das opções que uso frequentemente.

  • Sumo de limão/lima. O ácido cítrico do limão ou lima é antibacteriano. Cortem um limão / lima em rodelas e esfreguem uma rodela nas axilas. Podem manter as frutas cortadas no frigorífico num frasco de vidro para utilizar mais vezes.

  • Vinagre de cidra ou branco. Esfreguem um pouco nas axilas.
  • DIY desodorizante natural e caseiro. Esta é outra opção que eu gosto de usar! Misturem 100g de óleo de coco extra-virgem biológico com 50g de bicarbonato de sódio e 5 gotas de um óleo essencial que gostem (eu normalmente uso óleo essencial de lavanda (ou alfazema), mas podem usar um outro que prefiram). Guardem-no num recipiente de vidro fora do frigorífico se a vossa casa estiver abaixo de 23 °C ou no frigorífico se estiver acima dessa temperatura (se não o óleo de coco derrete).

Se acabaram de fazer a depilação, recomendo que não usem nada, uma vez que usar algo nas axilas pode produzir irritação na pele. Mas se quiserem mesmo pôr alguma coisa, tentem simplesmente óleo de coco biológico com umas gotas de um óleo essencial da vossa preferência.

Outra coisa que é importante considerar é que o odor corporal é influenciado por vários fatores, como por exemplo:
– Stress e ansiedade (ou se não dormiram o suficiente), uma vez que isto leva à libertação de cortisol, o que desencadeia a libertação de suor. Isto combinado com as bactérias presentes debaixo dos braços pode levar a um suor com mais cheiro.
– Comer açúcar refinado, pois é uma fonte de alimento para as bactérias.
– Uso de desodorizantes convencionais, conforme explicado acima.
– Certos medicamentos.
– Álcool.

Estão a evitar desodorizantes convencionais? Quais são as opções naturais que costumam utilizar? Digam-me nos comentários em baixo 🙂

 

Vivam saudáveis e conscientes,

Ana Coito, PhD

 

Referências

  1. Darbre, P.D., Aluminium and the human breast. Morphologie, 2016. 100(329): p. 65-74.
  2. McGrath, K.G., An earlier age of breast cancer diagnosis related to more frequent use of antiperspirants/deodorants and underarm shaving. Eur J Cancer Prev, 2003. 12(6): p. 479-85.
  3. Callewaert, C., et al., Deodorants and antiperspirants affect the axillary bacterial community. Arch Dermatol Res, 2014. 306(8): p. 701-10.
  4. Darbre, P.D., Aluminium, antiperspirants and breast cancer. J Inorg Biochem, 2005. 99(9): p. 1912-9.
  5. Darbre, P.D., F. Mannello, and C. Exley, Aluminium and breast cancer: Sources of exposure, tissue measurements and mechanisms of toxicological actions on breast biology. J Inorg Biochem, 2013. 128: p. 257-61.
  6. Mannello, F., D. Ligi, and M. Canale, Aluminium, carbonyls and cytokines in human nipple aspirate fluids: Possible relationship between inflammation, oxidative stress and breast cancer microenvironment. J Inorg Biochem, 2013. 128: p. 250-6.
  7. Darbre, P.D., A. Bakir, and E. Iskakova, Effect of aluminium on migratory and invasive properties of MCF-7 human breast cancer cells in culture. J Inorg Biochem, 2013. 128: p. 245-9.
  8. Barr, L., et al., Measurement of paraben concentrations in human breast tissue at serial locations across the breast from axilla to sternum. J Appl Toxicol, 2012. 32(3): p. 219-32.
  9. Khanna, S., P.R. Dash, and P.D. Darbre, Exposure to parabenos at the concentration of maximal proliferative response increases migratory and invasive activity of human breast cancer cells in vitro. J Appl Toxicol, 2014. 34(9): p. 1051-9.
  10. Karpuzoglu, E., S.D. Holladay, and R.M. Gogal, Jr., Parabenos: potential impact of low-affinity estrogen receptor binding chemicals on human health. J Toxicol Environ Health B Crit Rev, 2013. 16(5): p. 321-35.
  11. Harvey, P.W. and D.J. Everett, Parabenos detection in different zones of the human breast: consideration of source and implications of findings. J Appl Toxicol, 2012. 32(5): p. 305-9.
  12. Nassan, F.L., et al., Personal Care Product Use in Men and Urinary Concentrations of Select Phthalate Metabolites and Parabenos: Results from the Environment And Reproductive Health (EARTH) Study. Environ Health Perspect, 2017. 125(8): p. 087012.
  13. Parlett, L.E., A.M. Calafat, and S.H. Swan, Women’s exposure to phthalates in relation to use of personal care products. J Expo Sci Environ Epidemiol, 2013. 23(2): p. 197-206.
  14. Mariana, M., et al., The effects of phthalates in the cardiovascular and reproductive systems: A review. Environ Int, 2016. 94: p. 758-776.
  15. Crinnion, W.J., Toxic effects of the easily avoidable phthalates and parabenos. Altern Med Rev, 2010. 15(3): p. 190-6.
  16. Hannon, P.R. and J.A. Flaws, The effects of phthalates on the ovary. Front Endocrinol (Lausanne), 2015. 6: p. 8.
  17. Kay, V.R., C. Chambers, and W.G. Foster, Reproductive and developmental effects of phthalate diesters in females. Crit Rev Toxicol, 2013. 43(3): p. 200-19.
  18. Kay, V.R., M.S. Bloom, and W.G. Foster, Reproductive and developmental effects of phthalate diesters in males. Crit Rev Toxicol, 2014. 44(6): p. 467-98.
  19. Hauser, R., et al., DNA damage in human sperm is related to urinary levels of phthalate monoester and oxidative metabolites. Hum Reprod, 2007. 22(3): p. 688-95.
  20. Ejaredar, M., et al., Phthalate exposure and childrens neurodevelopment: A systematic review. Environ Res, 2015. 142: p. 51-60.

 

 

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