Receita: como fazer caril em pó

O caril contém vários ingredientes com muitos benefícios para a nossa saúde, como demonstrado em vários estudos científicos. Um dos principais ingredientes do caril é o açafrão (curcuma). O número de estudos científicos sobre esta especiaria tem explodido nos últimos anos. Por exemplo, descobriu-se que determinados constituintes do açafrão podem ajudar na prevenção ou mesmo no tratamento de várias doenças, nomeadamente diabetes tipo 1 e tipo 2 [1, 2], cancro [3, 4], doença de Alzheimer [5, 6], entre outras. O gengibre, outro ingrediente no caril também é muito benéfico para a nossa saúde, pois tem atividade anti-microbiana e anti-fúngica [7, 8], anti-inflamatória [9, 10], entre outras. As sementes de feno grego demostraram ajudar na prevenção da diabetes tipo 2 em pessoas com pré-diabetes [11]. O cravinho (ou cravo-da-Índia) também tem atividade anti-inflamatória e anti-bacteriana [8]. Estes são apenas alguns dos benefícios comprovados de algumas das especiarias utilizadas no caril.

Dado que o caril contém tantos ingredientes super saudáveis, acredito sinceramente que é um condimento que devemos tentar incluir nas nossas refeições sempre que possível. No entanto, existem várias versões de caril em pó. Lembro-me de ter provado arroz e frango com caril em algumas refeições na escola quando era pequena, e nunca gostei. Mas agora sei que o caril pode ter um sabor completamente diferente daquele que eu tinha experimentado. O caril que provei na escola tinha uma cor amarela muito clara, e penso que era porque continha muito pouco açafrão. Esta especiaria tem uma cor amarela escura (ou cor-de-laranja até), e portanto dá ao caril a sua cor característica amarela escura. E, na minha opinião, os pós de caril mais escuros são mais saborosos, para além de provavelmente serem mais saudáveis.

De qualquer maneira, se não está satisfeito com o caril que tem usado (seja porque é caro, seja por não conter os ingredientes que gostaria, ou por conter outros que não gosta tanto) sugiro que experimente esta receita. Em baixo, dou-lhe uma lista de ingredientes e respetivas quantidades que pode usar para fazer o caril, mas esteja à vontade para experimentar combinações diferentes destes ingredientes.

Sugiro que tente comprar sempre ingredientes biológicos e com a melhor qualidade possível para fazer o seu caril.  Pode comprá-los já moídos, ou moê-los, por exemplo, num moinho de café.

 

Tempo de preparação: ~10 minutos se comprar os ingredientes já moídos ou ~30minutos se os moer em casa

Ingredientes:

– 340 g de açafrão (desidratado)

– 200 g de pó de gengibre (desidratado)

– 80 g de sementes de feno-grego

– 60 g de sementes de mostarda

– 40 g de sementes de coentros

– 40 g de cominho

– 40 g de cardamomo

– 15 g de cravinhos

– Opcional: 5 g de pimenta preta

– Opcional: 10g de pimenta doce

– Opcional: 10g de chili em pó (se quiser picante)

 

Preparação:

1. Se comprou as sementes inteiras, moa tudo, usando por exemplo, um moinho de café.

2. Ponha todos os ingredientes moídos numa tigela.

3. Misture bem. Sinta o cheirinho agradável das especiarias 🙂

4. Coloque num ou em vários frascos.

E pronto, é isto! 🙂

Como provavelmente notou, esta é uma quantidade bastante grande, e provavelmente irá durar-lhe meio ano ou mais. Pode fazer, claro, uma quantidade menor. Ou então pode oferecer pequenos frascos de caril como presente de Natal 🙂

Vou começar a publicar receitas onde pode utilizar este pó de caril:).

 

Viva saudável,
Ana

 

Referências

[1]          M. T. Abdel Aziz, M. F. El-Asmar, A. M. Rezq, S. M. Mahfouz, M. A. Wassef, H. H. Fouad, H. H. Ahmed, and F. M. Taha, “The effect of a novel curcumin derivative on pancreatic islet regeneration in experimental type-1 diabetes in rats (long term study),” Diabetol Metab Syndr, vol. 5, no. 1, pp. 75, Nov 26, 2013.

[2]          C. N. Castro, A. E. Barcala Tabarrozzi, J. Winnewisser, M. L. Gimeno, M. Antunica Noguerol, A. C. Liberman, D. A. Paz, R. A. Dewey, and M. J. Perone, “Curcumin ameliorates autoimmune diabetes. Evidence in accelerated murine models of type 1 diabetes,” Clin Exp Immunol, vol. 177, no. 1, pp. 149-60, Jul, 2014.

[3]          D. Fong, A. Yeh, R. Naftalovich, T. H. Choi, and M. M. Chan, “Curcumin inhibits the side population (SP) phenotype of the rat C6 glioma cell line: towards targeting of cancer stem cells with phytochemicals,” Cancer Lett, vol. 293, no. 1, pp. 65-72, Jul 01, 2010.

[4]          K. Piwocka, A. Bielak-Mijewska, and E. Sikora, “Curcumin induces caspase-3-independent apoptosis in human multidrug-resistant cells,” Ann N Y Acad Sci, vol. 973, pp. 250-4, Nov, 2002.

[5]          G. P. Lim, T. Chu, F. Yang, W. Beech, S. A. Frautschy, and G. M. Cole, “The curry spice curcumin reduces oxidative damage and amyloid pathology in an Alzheimer transgenic mouse,” J Neurosci, vol. 21, no. 21, pp. 8370-7, Nov 01, 2001.

[6]          R. D. Shytle, P. C. Bickford, K. Rezai-zadeh, L. Hou, J. Zeng, J. Tan, P. R. Sanberg, C. D. Sanberg, B. Roschek, Jr., R. C. Fink, and R. S. Alberte, “Optimized turmeric extracts have potent anti-amyloidogenic effects,” Curr Alzheimer Res, vol. 6, no. 6, pp. 564-71, Dec, 2009.

[7]          M. Park, J. Bae, and D. S. Lee, “Antibacterial activity of [10]-gingerol and [12]-gingerol isolated from ginger rhizome against periodontal bacteria,” Phytother Res, vol. 22, no. 11, pp. 1446-9, Nov, 2008.

[8]          Q. Liu, X. Meng, Y. Li, C. N. Zhao, G. Y. Tang, and H. B. Li, “Antibacterial and Antifungal Activities of Spices,” Int J Mol Sci, vol. 18, no. 6, Jun 16, 2017.

[9]          R. Grzanna, L. Lindmark, and C. G. Frondoza, “Ginger–an herbal medicinal product with broad anti-inflammatory actions,” J Med Food, vol. 8, no. 2, pp. 125-32, Summer, 2005.

[10]        A. Al-Nahain, R. Jahan, and M. Rahmatullah, “Zingiber officinale: A Potential Plant against Rheumatoid Arthritis,” Arthritis, vol. 2014, pp. 159089, 2014.

[11]        A. Gaddam, C. Galla, S. Thummisetti, R. K. Marikanty, U. D. Palanisamy, and P. V. Rao, “Role of Fenugreek in the prevention of type 2 diabetes mellitus in prediabetes,” J Diabetes Metab Disord, vol. 14, pp. 74, 2015.

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